Volta

 

 


 

Presidente Prudente, Brasil, 14 de Setembro de 2004

 

Alerta às pessoas de bem

 

Nesta altura de minha vida, eu, aos 83 anos de idade, sobrevivente a três intervenções cirúrgicas e a um infarto, por conta do meu velho coração indignado, e minha esposa Edita, aos 79 anos, sentimos a obrigação de publicar este alerta, sob a forma de uma carta aberta, para todas as pessoas de bem que têm negócios com o sr. Tomas J. Bata, também conhecido como Tomas Bata Jr. Serve também àquelas pessoas que convivem com esse negociante em seu círculo de relações de amizade, sociais e até mesmo aos que trabalham para suas empresas.

O texto explica a necessidade desse alerta.

 

Sr. Tomas J. Bata ou Tomas Bata Jr.,

 

antes de mais nada, é absolutamente necessário caracterizar e identificar claramente  V. nome, para que não seja o mesmo confundido com o nome de V. honrado pai, Tomas Bata, o verdadeiro Tomas Bata, um Homem ( com H maiúsculo ), detentor de todas as qualidades de pessoas de bem, de grande empreendedor,  de líder nato, dotado de raras, imensas e excepcionais qualidades. Lamentavelmente, ter o sr. herdado de V. pai esse nome, não lhe garantiu a sorte de herdar, também, qualquer dessas qualidades. Pior do que isso, não foi suficiente para lhe conceder a felicidade de assimilar os bons exemplos, as virtudes e o caráter de V. pai. Ao contrário, trouxeram-lhe as características menos nobres e o comportamento menos ético e moral do outro ramo de V. família, aqueles muito bem demonstrados nos processos que V. mãe, Marie Batova, com a cumplicidade familiar de V. tio, Alexandre Mencik, e com V. participação entusiasmada e totalmente em desacordo aos ensinamentos de V. pai,  moveram contra V. tio, Jan Antonin Bata, meio irmão de Tomas Bata, do verdadeiro Tomas Bata, criador da Organização Mundial Bata, com a filosofia de trabalho invejável e inexistente em qualquer outra parte do mundo, aquela mesma filosofia que V. tio Jan Antonin Bata manteve e ampliou e que V. administração, exclusivamente de V. responsabilidade,   baniu da Organização. O verdadeiro Tomas Bata não conseguiu fazer o sr., seu único filho, assimilar essa maravilhosa filosofia de trabalho e, consciente de que não conseguiria moldá-lo como seu substituto e de que o sr. jamais teria a estatura ética, moral e profissional necessária para levar tal trabalho adiante, idealizou um outro planejamento.

Pode parecer estranho a muitos a escolha que o verdadeiro Tomas Bata fez, ao buscar em seu irmão Jan Antonin Bata seu substituto e continuador de sua grandiosa obra. Hoje está provado que ele teve também essa qualidade, a de identificar a ausência de capacidades e qualidades em seu filho e, de forma não usual, escolher aquele em quem viu todas essas qualidades, necessárias para a continuação e o desenvolvimento dessa obra, quando viesse a faltar, e que, depois dos deploráveis acontecimentos que permitiram ao sr. a inusitada conquista dessa mesma Organização, hoje desvendados, acabaram sendo banidos pela V. exclusiva e limitada capacidade. V. pai fez de Jan Antonin Bata seu braço direito, educou-o, preparou-o, e nisso foi muito feliz, porque soube encontrar nele também outro Homem com H maiúsculo, com estatura moral, ética e profissional equivalente à sua própria. V. pai conhecia bem do que seria capaz o sr., seu único filho, e procurou poupar a obra de sua vida dos problemas que seguramente vislumbrava, se a Organização viesse a estar sob V. comando. As manifestações públicas de V. pai, como, por exemplo, a história do violino – que ele manifestou claramente que “caberia àquele que melhor soubesse tocá-lo” – e o sr., que sempre desafinou e perdeu o compasso da música da orquestra Bata, comprovou que a preocupação de V. pai era correta. Também se manifestou nas declarações sobre a herança, ao dizer claramente que seu filho não herdaria nada mais do que aquilo que fosse capaz de construir, porque sabia que havia necessidade de um construtor de empresas e de negócios, e o sr., seu único descendente, estava longe, muito longe disso.

Americanos, ingleses e o governo tcheco do “presidente” Benes souberam escolher bem a pessoa a ser colocada à frente da Organização Bata, para atender única e exclusivamente aos interesses deles: escolheram o sr. Isto para que não houvesse mais um Jan Bata, “aquele leão, com quem as indústrias sapateiras americana e inglesa não conseguiam competir”, e que deveria ser destruído a qualquer custo, segundo os cabogramas secretos trocados entre as autoridades desses países. O sr. foi a escolha ideal, pois já havia demonstrado às “autoridades” daqueles países que: (a) não tinha o perfil para comandar, tanto que V. pai não o escolheu, preferindo vender a Organização ao irmão Jan, através do Contrato de Venda e Compra, confirmado no testamento do verdadeiro Tomas Bata, ambos esses documentos guardados no cofre de V. pai, cuja abertura V. mãe e o sr. presenciaram e cujo protocolo de abertura ela assinou, juntamente com as testemunhas, Alexandre Mencik, Hugo Vavrecka. Dominik Cipera e com o notário  Hugo Foerster. Posteriormente, V. mãe e o sr. concordaram com tudo, através das duas correspondências que ambos assinaram e encaminharam, a primeira, datada de 06/06/1933, ao Ministério das Finanças da Tchecoslováquia, onde reconheceram o Contrato de Venda e Compra celebrado em 10/05/1931, entre V. pai e V. tio Jan, e a segunda, datada de 08/06/1933, à Corte Distrital de Zlin, onde ambos, V. mãe e o Sr., se apresentavam como herdeiros legais dos bens deixados por V. pai e habilitavam-se ao espólio. Não se pode deixar  de mencionar, também,  o Protocolo de 23/06/1933, em que a Corte de Zlin procedeu oficialmente à entrega do espólio de Tomas Bata, do verdadeiro Tomas Bata, a V. mãe e ao sr., sendo que, do valor de vinte milhões de coroas tchecas que V. pai legou ao Sr., e que eram parte das cinquenta milhões de coroas tchecas que V. pai menciona em seu testamento, como sendo  o crédito que tinha com Jan Antonin Bata, pela venda da Organização, o sr., mesmo alegando muito mais tarde que o testamento de V. pai não era válido ou que não existia, usou a maior parte  desse dinheiro, o qual lhe foi pago por Jan Antonin Bata, restando ao final pouco mais de hum milhão de coroas para serem retiradas. Mas V. assessoria legal alertou ao sr. de que a retirada desse saldo seria um erro estratégico, pois confirmaria que o testamento de V. pai existira, era legal, havia sido aceito por V. mãe e pelo sr. e que as decisões das Cortes estrangeiras eram ilegais e o sr. resolveu não mais retirar esse valor; (b) mas, em compensação, o sr. tinha o perfil conveniente a eles, americanos e ingleses, como demonstrado quando induziu o velho e doente Frank Muska a, de boa fé, acreditando estar tratando com uma pessoa de confiança de Jan. A. Bata ( que era mantido incomunicável no Brasil, por seus algozes, dirigentes dos governos inglês e americano ), entregar ao sr., bens que pertenciam à empresa Leader A.G. ( portanto, a Jan Bata ), no caso ouro e dinheiro. Mas o segredo sobre as 826 ações, bem como a chave secreta do cofre do banco onde elas estavam guardadas, segredos esses que só Muska e Jan Bata sabiam, isso o sr. não conseguiu arrancar daquele tcheco leal e bem intencionado, e isso fica claro nas alegações iniciais do juiz americano Schreiber, no processo que o sr.  e V. mãe moveram contra o espólio de Frank Muska em Nova York e onde ele esclarece como foi possível ao sr. iniciar a ação contra V. tio Jan Bata, ao afirmar: “o administrador dos bens de Frank Muska, que juntamente com o Chase Safe Deposit Company, foi um réu na ação de depósito para recuperação, obteve uma ordem trazendo Jan Bata, o meio irmão de Tomas Bata,  à ação, como autor rival”. Prova de que nem o sr. nem V. mãe sabiam onde Jan Bata guardava essas 826 e as outras 1170 ações da Leader A.G. E por que deveriam saber? Afinal o sr. e V. mãe entregaram a Jan Bata toda a Organização Mundial Bata, inclusive as ações da Leader A.G., obedecendo a vontade de V. pai, o verdadeiro Tomas Bata, e respeitando integralmente a lei tcheca que, muitos anos depois, os srs. fizeram questão de desrespeitar e ridicularizar, arrancando de um juiz americano um julgamento sobre uma questão decidida pela lei tcheca, como se as leis e costumes do país onde o sr. nasceu fossem de segunda classe. E mesmo nos Estados Unidos, onde os srs. conseguiram uma vitória muito apertada no Tribunal de Recursos de Nova York, pois Jan Bata obteve 2 dos 5 votos, para V. refrescar a memória, um dos 3 votos a V. favor, o do juiz Froessel, foi concluído da seguinte forma: “Alega-se que as ações da Leader passaram para Jan em conseqüência do comportamento de Tomik ( o sr. ) e de Marie ( V. mãe ), como parte do espólio de trinta ou quarenta milhões de dólares. Muitas das provas apresentadas neste processo se ligam a esta afirmação. NÃO CONSIDERAMOS DE UTILIDADE ANALISAR DETALHADAMENTE ESTAS PROVAS. CONSIDERAMOS SUFICIENTE QUE NÃO FOI APRESENTADA PROVA SOBRE ALGUM RECONHECIMENTO DE MARIE OU DE TOMIK, COM O QUE ESTA OPINIÃO SERIA COMPROVADA” . O sr. sabe que esta prova existe, está em poder de várias pessoas da família no Brasil e nos Estados Unidos e, por segurança, com terceiros amigos, e que ela não foi apresentada nas Cortes  porque , na época do julgamento, estava retida na Tchecoslováquia, de forma que Jan Bata e seus advogados ficassem impedidos de a ela terem acesso. Trata-se da “carta assinada em 06/06/1933, pela viúva Marie Batova e por seu filho, Tomas Bata, já emancipado, endereçada ao Ministério das Finanças, na qual ambos reconhecem o contrato de venda e compra celebrado em 10/05/1931, como legal e legítimo, sem ter contra o mesmo nenhuma reclamação”. Com este documento, o voto do juiz Froessel seguramente seria a favor de Jan Bata e o sr. teria sido derrotado por 3 votos a 2; (c) o sr. estava disposto a tudo, porque já havia declarado nos tribunais, faltando com a verdade, que não existia o documento assinado por V. mãe e pelos demais colaboradores de Jan Bata, onde todos afirmaram que as ações da Bata A.S.Zlin, que lhes foram passadas, o foram apenas para resolver o problema causado pela ocupação alemã e seriam devolvidas a Jan Bata após a guerra, conforme o recibo assinado por V. mãe, que recebeu 25%,  e pelos cinco  demais diretores, cada um tendo recebido 7%. Aliás, o sr. seguramente se lembra, e o mundo deve tomar conhecimento,  de que, em junho de 1945, o sr. foi à Tchecoslováquia, como oficial de informações de uma “escolta diplomática”,  conforme consta da sentença do juiz Schreiber, publicada no jornal “The New York Law Journal”, de 24 de janeiro de 1950, tendo esse magistrado declarado nessa mesma sentença que ”enquanto estava lá entrevistou Foerster, o tabelião, acerca da propriedade do seu finado pai e providenciou para obter os papéis relativos aos bens do seu pai” – sendo que o tabelião Foerster é o autor do Protocolo de abertura do cofre de V. pai, protocolo esse que provava que o sr.,  V. mãe e V. tio, Alexandre Mencik, foram testemunhas de que as ações da Leader A.G. estavam nesse cofre, e esse protocolo nunca foi juntado ao processo que o juiz Schreiber julgou. Novamente aqui o sr. mostra que estava disposto a cometer qualquer irregularidade, perjúrio ou até mesmo crime, porque selecionou apenas os documentos que lhe permitiriam ter uma sentença favorável na ação movida contra Jan Bata, providenciando para que os outros documentos ( inclusive o Protocolo ), aqueles que dariam razão a Jan, e que hoje temos, todos eles, em nosso poder, permanecessem, como permaneceram, inacessíveis e escondidos atrás da Cortina de Ferro, até o sr. ter toda a Organização sob V. controle e V. tio esmagado sob o peso das mentiras, das traições, das falsas acusações e da impotência em continuar a lutar, o que acabou por lhe causar a morte prematura em 1965. Cabe ressaltar aqui a conveniente coincidência de que o Protocolo da abertura do cofre de V. pai, elaborado pelo dr. Hugo Foerster, um dos documentos aos quais V. tio não teve acesso enquanto viveu, e uma das principais provas a favor dele, estava arquivado, não junto com os demais documentos relativos à morte e testamento de Tomas Bata, do verdadeiro Tomas Bata, mas sim nos arquivos pessoais do dr. Hugo Foerster, como nos explicou o dr. Pokluda, diretor do Arquivo de Zlin, quando estivemos lá, em 1991. A ligação dos fatos é notória: o dr. Hugo Foerster, e não o diretor do arquivo de Zlin,  foi a pessoa que o sr. procurou, conforme consta da sentença do juiz Schreiber. Foerster era sogro de Ferdinand Mencik, um de V. mais próximos colaboradores e filho do irmão de V. mãe, Alexandre Mencik, que também foi testemunha chave contra V. tio Jan – basta somar 2 + 2 e se chega às conclusões corretas; (d) o sr. achou a forma de obter a cumplicidade dos advogados de confiança de V. tio, do escritório suíço inicialmente comandado por Wettstein e, após a morte deste, por Jucker, até casando-se com a filha de Wettstein, a qual lhe trouxe como dote o escritório advocatício, de forma que esses advogados passassem a trabalhar contra o homem que os encontrou, que os apresentou a V. pai, o verdadeiro Tomas Bata, contra V. tio Jan Bata, o homem que  ajudou a contratá-los, e, no container do dote estava cuidadosamente acondicionado o golpe da mais vil e desavergonhada traição desses advogados, até então ocupando posição de absoluta confiança de Jan Bata, os quais o novo casal soube, magistralmente, manipular;  (e) o sr. passou a editar livros e dar falsas declarações sobre a Organização Bata onde, simplesmente, atropela a história e a verdade dos fatos e exclui o nome de Jan Bata da fase de maior expansão, crescimento e lucratividade das empresas, dando a entender, de forma vil e mentirosa, que foi o sr. quem sucedeu V. pai diretamente (o sr. ainda era menor de idade), nesse processo de verdadeira explosão de desenvolvimento – na ilusão de que “uma mentira contada insistentemente durante muito tempo, acaba se transformando em verdade”. Infelizmente para o sr., os fatos e documentos desmentem isso, para V. vergonha e a de V. familiares e colaboradores. 

Nenhum desses colaboradores que, como o sr., traíram os ideais do verdadeiro Tomas Bata, apesar de terem sido testemunhas oculares de sua grandeza moral, ética e profissional, e que, ao permanecerem ao lado de uma pessoa como o sr., nos processos, acompanhando-o com suas assinaturas em testemunhos falsos e cometendo perjúrio, ajudando-o a forjar fatos, esconder provas, camuflar a história e perpetrar a maior e mais deplorável de todas as injustiças contra um homem que tratou o sr. como filho, como homem de confiança e como o colaborador mais  próximo; nenhuma dessas pessoas honrou a memória do antigo chefe e todos atentaram contra tudo aquilo que o verdadeiro Tomas Bata pregou e disseminou por toda a Organização e para todos os seus colaboradores.

Nenhum, no entanto, foi pior do que o sr., que traiu a memória de V. próprio pai, o sr. que o acusou publicamente de cometer um crime de forjar a venda da empresa para V. tio, mesmo sabendo que essa venda era verdadeiramente a vontade soberana e lúcida do verdadeiro Tomas Bata. O sr. que, para manter essa acusação, cometeu perjúrio, junto com aqueles que permaneceram a V. lado nesse inexplicável atentado contra a lei soberana do país em que o sr. nasceu, permitindo que outros países contestassem, ridicularizassem e, inexplicavelmente até, anulassem judicialmente a legalidade dos procedimentos executados na então Tchecoslováquia, mesmo tendo consciência de que o sr. e V. mãe aceitaram tais procedimentos, assinaram os documentos que permaneceram inalcançáveis, atrás da Cortina de Ferro do governo comunista e os de seus continuadores, com o qual V. colaboradores e servidores se acertaram, tornando-os – esses documentos – inatingíveis para Jan Bata poder se defender e comprovar que tudo o que sempre afirmou nos julgamentos, era apenas e tão somente a verdade. Mas a verdade, escrita por Jan Bata em seu leito de morte, veio à superfície, como o óleo sobre a água, e os documentos que o sr. e v. mãe negaram existirem, existem, estão em nosso poder e ficarão registrados na história. E o sr., V. esposa e V. descendentes terão que se confrontar com essa verdade e com esses documentos e, pior, terão que explicar V. atos para as gerações que lhes seguirão e que hoje, talvez, sejam inocentes de V. atitudes e de V. comportamentos irresponsáveis. Mas a história fará justiça a Jan Antonin Bata em seu país natal e no resto do mundo.

Nós, que trabalhamos com ele por mais de vinte anos, ao seu lado, que trocamos com ele mais de oitocentas cartas, muitas delas violadas por V. círculo de assessores, muitas delas registrando a angústia e a decepção com que ele viu o trabalho da vida de seu irmão, o verdadeiro Tomas Bata e o seu próprio, serem tomados e deturpados de forma tão baixa e covarde, que sentimos a intromissão de V. escritório de advogados, atrapalhando, com declarações falsas, negócios com nossas propriedades em Mato Grosso, estas sem qualquer vínculo com as questões entre o sr. e Jan Bata, nós sempre nos sentimos honrados de estar ao lado dele, de sua causa e de sua memória, onde permaneceremos até o fim de nossas vidas.

Quanto ao sr., mais cedo ou mais tarde, V. vil memória será encaminhada ao lugar que lhe cabe por merecimento e direito, a lata de lixo da história, onde se encontram os homens com h minúsculo, a ranger seus dentes de raiva por sua pequenez ética e moral e a se arrepender pela eternidade pelo mal que causaram a pessoas ( no plural, porque se trata de Jan Antonin Bata, V. tio, Marie Batova, V. tia, de V. primos Maria, Ludmila e Jan Tomás e até de um dos netos de Jan, Jorge Bata Mitrovic, assim como os genros, Ljubisav Mitrovic, Ljubodrag Arambasic e Joseph Nash ) que morreram sem saborear o gosto do reconhecimento e do restabelecimento de sua honrada memória junto aos cidadãos, aos governantes e aos magistrados de sua pátria de origem, bem como os dos demais países onde o nome Bata é conhecido e, principalmente, os daqueles países onde Jan Bata foi atacado por V. mãe e pelo sr.,  da forma mais torpe e vergonhosa, como fica demonstrado nesta carta aberta. Tudo o que aqui está declarado, o sr. bem sabe, está devidamente documentado. Mas há, também, um fato acontecido logo após a morte de V. tio Jan Bata, quando o sr. e V. esposa, Sonja, estiveram em Batatuba, na casa da família no Brasil: o sr. há de se lembrar, como se lembram as duas únicas testemunhas vivas daquele encontro, na sala de jantar da casa, V. primas, eu, Edita e minha irmã  Hana, V. tia Marie, V. prima Ludmila e V. primo Jan Tomas estavam ainda vivos e presentes e ele se dirigiu ao sr. dizendo “ enquanto meu pai estava legalmente usufruindo a sua condição de dono e chefe da Organização Bata, poderia ter liquidado com você quantas vezes quisesse” ( como poderia ter acontecido quando o sr. tentou desobedecer uma ordem dele para transferir um funcionário do Canadá, onde o sr. era apenas o gerente, e não o fundador, como vem tentando fazer crer ), “mas não o fez, porque meu pai era um homem bom, justo e você era filho de seu irmão, que ele amava e admirava. Porém, quando você se viu no controle, atirou nele pelas costas, com ambos os canos de sua arma”. V. resposta, em tom de confissão,  tentando justificar o injustificável,  foi: “ e o que teria feito você no meu lugar?”. Apenas a justiça Divina poderá responder a V. pergunta e a V. atos.  

Que Deus V. possa perdoar e, se isso for possível, aliviar a V. consciência.

 

Edita Batova de Oliveira e seu esposo,

Cap.Fragata RRm. Nelson Verlangieri d’Oliveira

 


 

Exmo. Senhor

Celso Amorim

Ministro das Relações Exteriores do Brasil
Palácio Itamaraty - Esplanada dos Ministérios - Bloco H
70170-900 Brasília/DF

BRASIL

 

Krásná Lípa, 29 de Dezembro de 2003

 

Excelentíssimo Senhor Ministro,

resultou dirigir-se à Vossa Excelência num caso tocando imediatamente ao Brasil, República Tcheca e também aos relacões entre nossas países. Êste caso merece, a meu ver, uma atenção extraordinária, bem que os acontecimentos respectivos passaram-se já antes algumas dezenas dos anos. O embaixador do Brasil em Praga senhor Affonso Massot informou-me, que sua autoridade “não dispõe de competência legal nem de recursos para pronunciar-se ou interferir” neste assunto. Por esta razão agora trato directamente Vossa Excelência.

Trata-se do caso de Dr. h. c. Jan Antonin Bata, do proprietário antigo do consórcio sapateiro mundial Bata com original sede na cidade tchecoslovaco Zlin e um naturalizado cidadão brasileiro de 1947. No mesmo ano foi Jan Bata condenado por tchecoslovaco extraordinário Juízo Nacional no processo provadamente encenado pela inventada colaboração com nazistas, apesar de sabemos e podemos provar, que êle significantemente fomentou o movimento da resistência e os membros do govêrno tchecoslovaco em Londres por intermédio de sua atitude moral e sobretudo por grandes recursos financeiros.

Estimulação e decurso po processo dêle foram um resultado de muitas circunstâncias – (1) do esforço do subido poder totalitário para evitar um pagamento das grandes indenizacões pelas emprezas confiscadas, (2) da ânsia vingar-se pelas atitudes anti-comunistas de Jan Bata antes da Segunda Guerra Mundial, (3) dos interesses concorrentes, (4) das animosidades pessoais dos alguns políticos tchecos, inglêses e americanos, cuja consequência prática foi uma inscrição do nome de Jan Bata na lista negra dos Aliados no tempo da guerra e, enfim, (5) dos ambições para usurpar a propriedade do condenado por alguns membros da família Bata, os quais o subido poder comunista comprovou utilizar com habilidade em seu benefício. Tudo isto podemos documentar.

Jan Bata moreu em 23. de agôsto de 1965 depois de uma série dos litígios cansativos contra seu sobrinho Tomás Bata Jr. (que vive até agora em Canadá), em cujo favor entregou-se, empurrado pelo esgotamento e doença, dos restantes direitos proprietários às suas empresas. Uma influência principal nos resultados dos casos judiciais tinham ações do tchecoslovaco serviço secreto de informações (StB) com um objetivo claro – evitar à indenização pela propriedade confiscada. Apesar disto todo Jan Bata comprovou construir algumas cidades industriais e colônias agrícolas (Batatuba, Mariapolis, Indiana, Bataguassú, Batayporã) e começar uma colonisação dos regiões inabitados no Estado de Mato Grosso. Queria comemorar, que Jan Bata, por suas atividades junto ao desenvolvimento de povoação, foi proposto em 1957 como brasileiro ao Prêmio Nobel de Paz.

Um fato indignado é, que Jan Bata não viveu para ver nenhuma justiça. Seu nome foi tirado dos manuais da história e também da mente da gente não só na terra natal. Depois passavam  dezenas dos anos longos, até que as ditaduras bolchevistas em Europa Central e Oriental desmoronaram-se.

Até em 1993 puderam as três filhas sobreviventes do industrial tcheco-brasileiro dar uma queixa por infração da lei no caso de Jan Bata, por intermédio do Procurador Geral da República Tcheca, ao Juízo Altíssimo.

Depois de mais que um ano o Senado do Juízo Altíssimo Tcheco discutiu êste impulso – e recusou. A razão disto não se referiu da substância do caso. Por sentença do Juízo Altíssimo de 1994 a contemporânea legislação tcheca não permite tal queixa a respeito dos julgamentos do Juízo Nacional, que funcionava só nos anos 1945 – 1947 como um tribunal extraordinário. Êstes textos tenho à disposição, tal como contatos com algumas pessoas importantes, p. ex. Edita Bata de Oliveira (filha de Jan Bata, que vive de 1941 no Brasil em Presidente Prudente) ou antigo Procurador Geral da República Tcheca. Não queria aqui amontoar seguintes pormenores. Talvez Vossa Excelência já considere: „Muito interessante..., pois que quer-me dizer êsse homem?“

Os descendentes de Jan Bata não desejam já nada mais que limpar o nome do pai na terra de seu origem. Pois êle está aqui até hoje um criminoso – apesar de que criminoso foi pelo contrário seu condenação. As ações realizadas até agora não deram os resultados palpáveis, porque a lei penal tem nenhum instrumento pelo que seria possível mudar uma sentença do juízo extraordinário, apesar de violação flagrante das leis vigentes nêsse tempo. Segundo da expressão do Juízo Altíssimo uma esperança talvez forneça somente o restabelecimento do processo. Em tal caso podemos esperar ainda muitos anos, mas pessoas mais importantes já estão velhas... quanto tempo resta-lhes? Outra possibilidade teórica seria talvez uma aceitação de uma nova norma jurídica para permitir revocação da sentença escandalosa do Juízo Nacional de 1947.

Traduzi ocasionalmente alguns textos portuguêses para o tcheco. No ano passado recebeu de Sra. Edita Bata de Oliveira um livro de um autor brasileiro Francisco Moacir Arcanjo O mundo compreenderá; a história de Jan A. Bata – o Rei do Sapato, que estivera editado no Brasil em 1952, então no tempo da vida de Jan Bata. Seu valor portanto, além de alguns novos fatos, consiste no seu autenticidade, bem que o livro às vezes atravessa de uma forma documentária numa romanesca. Este livro traduzi com uma ardência descomunal. Isto foi um princípio do meu interesse sistemático sobre o caso de Jan Bata.

Na fase actual procuro recursos suficientes para edição dêste livro, cujos custos, com utilização de uma firme encadernação e tiragem de 2000 exemplares, elevarem-se à importância de 120 000 CZK (cerca de 14000 BRL). Com esta objetivo providenciei nos passados meses uma licença editorial. Como um professor de uma escola secundária não disponho, porém, dos livres recursos financeiros. Eu seria muito agradecido, se a segunda pátria de Jan Bata decidisse fomentar a edição do livro sobredito e expressar deste modo seu interesse sobre uma lembrança e honra de seu cidadão notável. Percebo êste meu procedimento como algo desconforme, mas absolutamente correto. Os doadores estiverem, com uma permissão dêles, nomeados no livro, cuja edição seria ótimo realizar na primavera de 2004. O livro editado com o apoio do Brasil daria um sinal eminente aos Tchecos.

Eu queria também lembrar o caso de Jan Bata ao público tcheco pela série de uns artigos nos jornais convenientes etc. Neste assunto dirigi-me a alguns políticos tchecos, mas na sua maior parte encontrei-me com evasivas. Suponho, que uma adequada atividade diplomática da parte brasileira possa ter uma importância considerável (p. ex. os americanos nem inglêses nunca explicaram suas inscrições do nome de Jan Bata nas listas negras). Se Vossa Excelência manifestasse seu interesse sobre os documentos disponíveis, eu concederia-lhes com prazer e acolheria cada ocasião para tratar dêste assunto por intermédio da embaixada brasileira em Praga.

Agradecendo, previamente, pelo auxílio e aproveito a oportunidade para apresentar os meus protestos de estima e consideração.

 

Dr. Marek Belza